quarta-feira, abril 04, 2007

O caçador de pipas


Um livro que não te larga. Essa é a definição mais apropriada para esse livro (de acordo com a minha própria experiência, esteja bem claro :-).

Minha melhor amiga, a Kan, emprestou-me esse livro há algum (bastante) tempo. Ele estava ali em minha cabeceira e como bem disse Matthew Shirts em sua coluna segunda-feiral do Estadão, "Há uma pilha de livros no criado-mudo, como acontece em muitos domicílios. Alguns poucos já li, outros, a maioria, pretendo ler, mas no fundo, no fundo sei que não vou. Ficam ali como um atestado de boas intenções." Bem, na verdade, eu tinha um pouco de receio de lê-lo, pois já me via chorando página após página.

Mas eu ia ao cabeleireiro naquele dia e o livro que eu estava lendo tinha chegado ao fim. Eu tinha alguns minutos para decidir o que levar pois, para variar, estava atrasada para sair. Revira daqui, mexe dali... e dei de topa com o livro. E falei: é hoje! Meti o danado na sacola e fui embora.

Os dois primeiros capítulos me deixaram um pouco confusa, não conseguia situar direito as personagens. Mas depois disso... eu não consegui despregar os olhos do livro. Incrível. Li um tanto no cabeleireiro (fazendo uma digressão, nunca sei se vai demorar ou não quando vou ao Benê porque é ele quem tem o poder de decisão do que fazer no meu cabelo), tive sorte pois foi um dia de tintura.

Antes de dormir, peguei de novo no livro pensando 'só mais um pouquinho'. Não consegui mais parar. Isso era por volta de meia-noite e meia. A cada página virada, eu falava só mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Até que percebi que não conseguiria dormir antes de descobrir o que afinal tinha acontecido de tão terrível entre as duas personagens principais do livro. Resolvi levantar e ir para a espreguiçadeira - meu local favorito de ler e, afinal, deixar o pobre do Gumpa dormir em paz.

Fui lendo página após página, embevecida, comendo as palavras, virando-as tão rápido quanto o meu cérebro permitia, às vezes ansiando por que o autor fosse mais econômico nas descrições e chegasse logo ao ponto. Deitei o livro finado às 9 da manhã seguinte.

O livro me engoliu, uma maravilha. A narrativa envolvente e cativante vai te levando numa vertigem e você quer saber mais, mais, mais. Além do enredo do romance em si, o pano de fundo sobre a história do Afeganistão, a invasão, a guerra e as privações é algo que te pega. Pelo menos a mim. E isso foi uma descoberta incrível pois eu nunca consegui aprender História e Geografia na escola. E agora, depois de 35 anos, descobri que a literatura, os quadrinhos, o cinema podem suprir essa lacuna da minha formação. Khaled Hosseini mostra como esse país foi devastado em tão pouco tempo. É triste e pungente assim como o é a história de Amir e Hassan, as personagens principais e amigos inseparáveis de uma amizade improvável mas que sempre foi sem nunca poder ter sido.

Não sei se foi a minha avidez que me fez ter essa percepção de que o autor poderia ter sido mais econômico em algumas descrições. Olhando em retrospectiva, também achei que ele fez Amir de gato-e-sapato. Desde que comecei a estudar essa questão da criação e do desenvolvimento de personagens tenho prestado mais atenção a esse ponto. Bom, pode ser uma opinião particular.

De toda maneira, é um livro que vale a pena ser lido!

Kan, adorei o livro, apesar de ter ficado com a cara inchada o resto do dia :-)!

PARA DESFRUTAR
Fiquei com vontade de:
» comer no Gopala Prasada, pelas descrições cabeça-gorda que ele faz no livro (apesar de o Gopala ser um restaurante indiano ovo-lacto-vegetariano)
» ouvir a trilha do "Paciente Inglês", a única mais próxima do que eu já tenha ouvido um dia daquelas bandas do mundo
» tomar o chai da Agdá
» rever Babel

SERVIÇO
título O caçador de pipas
autor Khaled Hosseini
editora Nova Fronteira
páginas 365 páginas
título original The Kite Runner
tradução de Maria Helena Rouanet
preço médio R$ 39,90

12 comentários:

Karen disse...

Eu li o livro no ano passado por recomendação da Akemi! Gostei, apesar de detestar cenas de violência (mesmo em romances).

sasse disse...

oi, miki!
eu tive uma impressão bem semelhante à sua, e essa é uma das minhas críticas ao livro: faz o autor aparecer no texto. no geral eu acho bem difícil perceber isso, mas no caso do caçador eu fiquei com a impressão de que ele manipula as situações. enfim, não me tirou a graça de ler e o efeito não foi menor por isso.

miki w. disse...

karen, o livro me possuiu, não tem melhor definição do que esta (rs). eu não gosto muito de violência também, quer dizer, quando é de 'mentirinha' como no matrix, por exemplo, eu abstraio. mas quando é mais de verdade como aqui fico bem triste. mas eu gostei bastante do livro!

fá, fiquei com vontade de reler para ver se a sensação persistia, mas confesso q depois me deu uma preguicinha sinal de que, apesar de bom, não ficou no olimpo dos livros na minha cotação.

beijinhos a todos,
miki

lunalestrie disse...

Geralmente eu olho com desconfiança os livros "mais vendidos", muito falados, mas não sei por quê, fiquei curiosa com esse (dei até uma olhada nele na livraria hoje, coincidentemente). Pela sua descrição, me parece que eu gostaria. :)

miki w. disse...

olha, luna, eu gostei bastante! apesar de como eu disse aí em cima não estar no olimpo dos livros (na minha listagem, o q não quer dizer muita coisa diga-se de passagem), ainda assim acho q valeu muito a pena!

se decidir ler, depois conte suas impressões para nós!

beijinhos, miki

Maria Helena disse...

Eu estou doida pra ler desde que lançou, tenho uma estranha obsessão por sucessos de venda e culturas diferentes. Sou tb altamente impressionável, do tipo que sai da sala pra não assistir uma cena violenta ou mesmo triste de um filme, fico triste junto e tenho pesadelos horrorosos. Com livros não é muito diferente, mas acho que o que me pega mesmo são as imagens impressas na minha retina - parece que elas não vão sair de lá nunca mais!

Normalmente os best-sellers tb não ocupam meu Olimpo, mas eu tenho uma curiosidade enorme em relação aos livros que fazem com que até quem não temo hábito de ler se aventure um pouquinho... Tb tenho um sonho de consumo meio bobo, daqueles estilo "se eu ganhasse na mega sena", que é entrar numa livraria e comprar todos aqueles romances mais vendidos, estilo Bridget Jones, ou Melancia, ou Dan Brown e ficar eternamente de férias, lendo só "junk books", como eu os apelidei. Porque no final as contas, eles são ótimos!

miki w. disse...

maria helena, até que não era uma má idéia, heim? já pensou, poder ler tudo o que tivéssemos vontade, sem precisar pensar em mais nada (rs)?

beijinhos, miki

PRS. disse...

Muito bom.
A história é bem interligada, o enredo é fantástico, as lições de vida são inteligentes e verdadeiras.
Trabalha curiosamente com certas inversões de valores e nos faz repensar certas convenções. Embora seja um romance, aborda a bondade e a crueldade de forma muito real, meio psíquica. Trabalha com sensações e sentimentos de forma muito realista, sem hipocrisia. Indescritível.

http://www.fotolog.com/agentepr

Anônimo disse...

Respeito solenemente todas as opiniões deste e de outros livros. Entretanto, no meu modo de pensar, a receita é tão velha quanto a Bíblia ... não tem nada de novo nesse livro. Amor, ódio, traição, remorso e redenção (dentre outros elementos), são parte da receita básica de qualquer best seller (S. Sheldon que o diga).
Li o "Caçador de Pipas" num final de semana ... devorei-o como devoro mais de 90% de qualquer livro que me caia às mãos ...
Do ponto de vista literário (na minha modesta opinião) não há o que reparar - mas, em termos de entretenimento, deixa a desejar ... falta imaginação e criatividade (quem leu pelo menos um H. Potter, sabe o que quero dizer com "imaginação e criatividade").
O "Caçador" é apenas um relato de fatos presenciados ou vividos ... qualquer um de nós que ficar 15 ou 20 dias morando num morro ou numa favela, ou numa zona de guerra, observando tudo o que acontece em volta, é capaz de sair com um romance (tipo Elite da Tropa).
Outra coisa que devemos levar em conta, é que o fato do livro estar no 1º lugar dos mais lidos durante várias semanas, é apenas "jogada de marketing".
Escreva um livro e tente editá-lo. Se você tiver muito dinheiro, com certeza o seu livro vai figurar entre os mais lidos do momento. Se v. for pobre, ninguém vai saber sequer que você escreveu alguma coisa.
Outra coisa que preocupa realmente, é que esse livro (assim como "As Noivas de Cabul", se não me engano), são apenas "propagandas", que "justificam" os ataques da cultura ocidental (leia-se EUA) sobre as demais culturas do mundo ...
É a minha opinião.
Carlos, de Curitiba/PR

Anônimo disse...

esse livro eh otimo e mereçe ser lido
mais comentarios no meu msn = matheus301195@yahoo.com

Carina disse...

Bem, eu estou com ele aki agora, e pra ser sincera estou com um pouco de preguiça de ler, e para ser mais sincera ainda estou com um certo medo. Medo porque já li algumas páginas e percebi o uso de vários vocábulos de uma língua diferente, mas familiar a mim. Todas as vezes que li Hassan, Baba, etc, uma pessoa me veio a mente, e isso não deveria acontecer, porque o melhor pra mim mesma (e é a única coisa que me fará permanecer viva) é não pensar mais nela. Espero que o enredo do texto seja tão emocionante e rico como foi descrito, porque talvez dessa forma a visão da história sendo construída na minha mente transcenda a da pessoa que devo esquecer.
Eu encontrei esse site por acaso e talvez não o veja mais, mas se eu o encontrar novamente, prometo que deixarei aqui a minha opinião em relação ao livro. Mas antes de lê-lo, já posso perceber que irei gostar, porque conta uma história de amizade,e de amizade eu entendo. Além disso será o meu primeiro livro após a minha inserção na vida adulta, não porque eu já tenho 18, mas porque eu percebi que a vida não é como nos contos de fadas. Que quando você faz um sacrifício por alguém, nem sempre o mesmo fica sabendo e te agradece. Agora eu aprendi também que sempre ficamos com o amor de nossas vidas...enfim, que nem tudo da certo no final. Eu creio que é isso que faz um ser se transformar de uma criança em um adulto, mais ainda do que um número que marca a quantos anos existimos.
Um abraço pra todos que lerem esse meu comentário (espero que ao menos 1 rs), e se cuidem! Mas nunca deixem de aproveitar a vida ou, fazer algo por medo, porque não basta apenas existir e preciso viver e sentir a vida da maneira mais intensa que for posssível...

Anônimo disse...

Adorei seu resumo sobre o livro e concordo plenamente, que o excesso de detalhes deixou a leitura cansativa em alguns momentos, o autor poderia mesmo ter economizado pormenores.

Este livro também me fez parar e pensar sobre as questões de amizade... Amir realmente fez Hassan de gato de sapato... chorei muito, muito na parte que o Hassan foi violentado pelos meninos.

Beijão pra vc!!