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sábado, junho 14, 2008

kafka à beira-mar


murakami... o que dizer sobre esse escritor que já não tenha sido dito aqui neste blog (rs)?

kafka à beira-mar é mais um livro desses que te laçam, te abduzem, lançam seus encantos e te enfeitiçam e te devoram. ao todo, acho que demorei cerca de 7 dias para lê-lo todo. isso porque eu estava tão lotada de coisas a fazer que, forçadamente, tinha de fechá-lo e me conformar em continuar "depois".

agora entendo completamente por que é que a karen batizou seu blog de "kafka na praia".

kafka tamura, "o menino de 15 anos mais valente do mundo" já havia planejado, há tempos, a fuga de casa. um menino aparentemente comum, mas, a quem olhar bem de perto, bastante peculiar com suas fraquezas, desejos, questionamentos, conhecimentos, força-de-vontade... ele parte sem olhar pra trás, sem saber ao certo para onde ir, mas, paradoxalmente, com a certeza de que era para aquele exato lugar que ele tinha de ir.

nakata, um velhote que parece simplório, é muito simpático e logo cativa o coração do leitor com sua singeleza. exposto a um estranho fenômeno quando era criança, perdeu a capacidade de fazer coisas comuns à maioria das pessoas como ler e escrever, mas, em compensação, ganhou estranhos poderes que ninguém mais é capaz de ter.

murakami vai contando a história dessas duas personagens - tão díspares quanto possível - alternadamente: os capítulos pares são dedicados a nakata e contados em 3a pessoa e os ímpares pertencem a kafka e são contados em 1a pessoa. isso, por vezes, chega a dar uma certa exasperação pois quando a coisa parece que está prestes a ser revelada é o fim do capítulo! damm it! juro que fiquei com vontade de ler todos os capítulos pares primeiro e depois ler os ímpares ^.^! porém, lá na parte final, é claro que os destinos deles vão se encontrar. (o engraçado é que, depois, conversando com a karen, ela mencionou que a versão em japonês é composta de dois tomos: um para o nakata e o outro para o kafka =)! acho que eu ia preferir!

murakami é de fazer você perder o fôlego! por vezes fico pensando de onde é que esses japoneses tiram essas idéias amalucadas para suas histórias! é só você ler qualquer mangá ou assistir a um animê ou ler um livro do murakami para se espantar com a imaginação do sujeito. amazing!!! quero ir passear nesse lugar onde eles passeiam para criarem esses mundos maravilhosamente fisgantes hihihihi.

o que eu especialmente adoro em murakami é o jeito com que ele constrói o que ele quer contar. é tão cheio de nuances e suavidades e cores. tenho vontade de ler e reler e reler infinitamente. li o livro de uma enfiada só, ansiando por saber dos fatos e agora tenho vontade de reler com mais vagar, saboreando essas passagens especiais. livros como kafka e a sputinik ficam sempre cheios de post-its amarelinhos risonhos a marcar os trechos especiais para que eu possa sempre lê-los novamente. e cada leitura é um momento de deleite, às vezes a única sensação refrescante numa árida tarde de trabalho difícil de ser parido!

escolhi dois trechos para compartilhar aqui:


"torno a olhar o seu busto. a área, arredondada e saliente, se projeta e se retrai lentamente, como ondas em movimento. imagino uma vasta extensão de mar varrida por uma garoa fina. sou um navegante solitário em pé no convés, e ela é o mar. o céu se reveste de uniforme tonalidade cinza e lá, bem adiante, se junta com o mar, que também está cinzento. é muito difícil distinguir céu de mar. ou o próprio navegante do mar. as coisas reais das coisas emocionais."

"o que eu busco, isto é, a força que eu busco, não se relaciona com vitórias ou derrotas. tampouco procuro paredes capazes de rechaçar forças externas. o que eu busco é a força que me permita suportar com serenidade a injustiça, a falta de sorte, a tristeza, o mal-entendido e a incompreensão."

agradeço especialmente à pri e ao cris que me fizeram presente desse tesouro!

e, à querida karen, gostaria de presentear com um desenho que fiz que - embora não fosse a intenção original - não consigo deixar de pensar que é a minha versão para a pintura "kafka à beira-mar" citada no livro!


SERVIÇO
título Kafka à beira-mar
autor Haruki Murakami
editora Alfaguara
páginas 571 páginas
título original Umibe no Kafuka
tradução de Leiko Gotoda
preço médio R$ 54,90

domingo, fevereiro 24, 2008

Entrevista de Haruki Murakami na Der Spiegel

Estava folheando a Der Spiegel da semana passada quando encontrei uma entrevista com o escritor Haruki Murakami, é a primeira entrevista dele que leio. A revista o entrevistou porque a tradução para o alemão de seu último livro, “Sobre o que falo, quando falo sobre correr”, será lançada amanhã na Alemanha.
Quando passei na Amazon japonesa no ano passado, li alguns comentários (fazendo uso de meu japonês imperfeito) sobre o livro e a maioria das pessoas estava surpresa em ler algo mais pessoal desse autor bastante arredio quando se trata de sua intimidade.
Na entrevista, Murakami fala sobre o papel que correr possui em sua vida de escritor. Sua ênfase na importância do físico para a criação artística lembrou-me de que Coetzee, o Nobel sul-africano, também é adepto do “corpo são, mente sã” e gosta de pedalar por vários quilômetros.
A tradução americana do livro será lançada em 29 de julho.

Traduzi alguns trechos da entrevista fazendo uso do meu alemão que não é exatamente a quinta-essência da língua de Goethe.

Der Spiegel (18.02. 08)

O escritor e esportista amador japonês Haruki Murakami, 59, fala sobre a solidão da corrida de longa distância, a tortura dos treinos diários e o reconhecimento de que sua carreira de escritor começou depois que ele correu pela primeira vez.

Spiegel: Sr. Murakami, o que é mais fatigante: escrever um romance ou correr uma maratona?
Murakami: Escrever é prazeroso, ao menos quase sempre. Eu escrevo por quatro horas todos os dias. Depois eu corro. De regra, 10 km. É bom fazer isso. Mas percorrer 42,195 km é duro, no entanto é uma dificuldade, uma agonia inevitável, a qual eu me entrego conscientemente. Para mim, este é o aspecto mais importante de correr uma maratona.
Spiegel: O que é mais belo: terminar um livro ou chegar ao fim de uma maratona?
Murakami: Colocar um ponto final em uma história é como o nascimento de um filho. Um autor mais feliz talvez possa escrever doze romances, eu não sei quantos livros ainda tenho em mim. Quatro? Cinco? Correndo eu não sinto qualquer limite. Publico um romance a cada quatro anos, mas todos os anos eu faço uma corrida de 10 km, uma meia maratona e uma maratona. Até agora completei 27 maratonas, a última em janeiro, e as de número 28, 29 e 30 naturalmente irão se seguir.

Spiegel: Você cresceu como filho único. Escrever é um trabalho solitário e você corre sempre sozinho. Há uma relação?
Murakami: Com certeza. Gosto de ficar sozinho. Ao contrário de minha esposa, não gosto de sociedade. Estou casado há 37 anos e é sempre uma batalha. No meu emprego anterior frequentemente eu trabalhava até o amanhecer, agora eu vou para a cama entre nove e dez horas.
Spiegel: Antes de tornar-se um autor, você tinha um bar de jazz em Tóquio. Como foi essa mudança radical?
Murakami: Eu ficava no bar, era meu trabalho manter conversas. Fiz isso por sete anos, mas não sou um homem de muitas palavras. Eu jurei que quando terminasse, conversaria apenas com as pessoas com as quais realmente tinha vontade.

Spiegel: Você é um escritor melhor porque corre?
Murakami: Certamente. Quanto mais meus músculos se fortalecem, mais lúcido torna-se meu espírito. Estou convencido de que os artistas que levam uma vida pouco saudável exaurem-se mais rápido. Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin foram heróis de minha juventude – eles morreram jovens, embora não o merecessem. Apenas gênios precoces como Mozart ou Puschkin merecem mortes precoces. Jimi Hendrix era bom, mas não muito inteligente, pois usava drogas. Trabalhos artísticos não são saudáveis, para compensar, os artistas devem viver de forma saudável.
Spiegel: Você pode esclarecer isso?
Murakami: Quando um escritor desenvolve uma história, ele confronta um veneno em seu interior. Quando você não possui esse veneno, sua história não tem inspiração. É como o Fugu, o baiacu é muito saboroso, maravilhoso, mas as ovas, o fígado e os intestinos podem ser letais. Minhas histórias encontram-se em um lugar escuro, perigoso, da minha consciência. Sinto o veneno em meu espírito, mas posso tolerar uma dose alta, porque tenho um corpo forte. Quando você é jovem, possui mais força para vencer o veneno sem treino. Aos 40 anos, a força diminui, você não supera o veneno se não vive de forma saudável.
Spiegel: J. D. Salinger tinha 32 anos quando seu único romance apareceu, “O apanhador no campo de centeio”. Ele estava muito fraco para seu veneno?
Murakami: Eu traduzi o livro para o japonês. É muito bom, mas incompleto. A história torna-se cada vez mais sombria, e o protagonista não encontra o caminho de volta do mundo sombrio. Acho que o próprio Salinger nunca o encontrou. Se ele teria se salvado pelo esporte? Não sei.

Spiegel: Você se depara com idéias para suas histórias enquanto corre?
Murakami: Não, não sou o tipo de autor que encontra a fonte de uma história de forma lúdica. Eu preciso cavar bem fundo para atingir o lugar sombrio em minha alma, onde as histórias estão escondidas. Também para isso preciso estar fisicamente forte. Desde que comecei a correr, posso me concentrar por mais tempo, o que também é necessário para percorrer o caminho das trevas. No trajeto, você encontra tudo: as imagens, os personagens, as metáforas. Se você estiver fisicamente fraco, faltará a força para agarrá-los e transportá-los para a superfície de sua consciência. Assim é, também, na corrida. Você precisa cruzar a reta final, custe o que custar.

(Zut! Depois de traduzir esses trechos eu descobri a entrevista inteira traduzida para o inglês na Spiegel International! O bom foi ver que a minha versão está bem próxima.).

quinta-feira, junho 14, 2007

After Dark - Haruki Murakami

Este é o último livro traduzido para o inglês do Murakami. Infelizmente, ele durou pouco, eu o li em duas noites. O livro não chega a ser um romance, é quase uma coleção de crônicas sobre personagens que se cruzam em uma noite em Tóquio: uma garota que passa o tempo lendo em redes de fast food ou bares, um rapaz que toca trombone, uma prostituta chinesa espancada e seu agressor, a gerente de um love hotel e ex-pugilista, uma modelo que dorme. O narrador nos conduz às cenas como se dirigisse um filme, ouvimos conversas, nossos olhares são conduzidos para closes e detalhes alheios aos personagens. Há jazz, muito jazz, como trilha sonora. A sensação é a de que estamos diante de um misto de Short Cuts com um filme noir. A cidade também participa da história como um organismo vivo, mas indiferente aos acontecimentos e vidas de seus habitantes.
Murakami gosta de experimentar novas técnicas de narração, ele parece se divertir com isso. Como muitos outros de seus fãs, acho que o livro não apresenta o autor em sua melhor forma, mas é bom e Murakami continua sendo um de meus autores favoritos.


quarta-feira, abril 11, 2007

Blind Willow, Sleeping Woman - Haruki Murakami

Um dos meus últimos Murakamis... Esse livro de contos foi traduzido e publicado nos EUA no ano passado. São 24 contos nos quais o autor se diverte com o leitor, histórias bem ao seu estilo, com direito a mistérios sem solução e uma certa melancolia. Antes de ler o livro, já tinha passado os olhos em uma crítica do Times Literary Supplement no qual o comentador dizia que Murakami, ao contrário de seu hábito, deixava o lado fantasioso de lado nas histórias desse livro. Creio que há alguma verdade nisso. As histórias são mais "pé no chão", muitas vezes mais parecidas com crônicas. A grande maioria trata de pessoas e relacionamentos. E já existe bastante material aí. Mas talvez seja exagero dizer que não há nada "peculiar" nelas.
Gostei muito de "A folklore for my generation: A pre-history of Late-Stage Capitalism", no qual um antigo colega de classe do narrador conta seu relacionamento com a namorada de adolescência. Já tinha lido a história na New Yorker, ela é muito bonita, doce e terna.
"Dabchick", começa com o narrador percorrendo galerias do esgoto em busca de um lugar onde seria entrevistado para um suposto emprego, não somos informados sobre o gênero de trabalho, mas, como o narrador diz, o pagamento é bom. Após andar por vários minutos em busca de uma porta, ele encontra o homem encarregado de levá-lo até seu chefe, mas antes, ele precisa falar qual é a senha do dia... O diálogo entre os dois é muito divertido e me vi rindo enquanto lia.
Leitura gostosa, mas, como sempre, prefiro seus romances.
Murakami, quando sai seu próximo livro, por favor!! I'm a book junkie!

domingo, março 25, 2007

The elephant vanishes - Haruki Murakami

Esta é uma coletânea de contos do Murakami. São dezessete contos dele reunidos em um livro. O primeiro é praticamente o primeiro capítulo de Wind-up bird. Em seu último livro de contos "Blind Willow, Sleeping woman", o autor mesmo escreve que muitas vezes um conto acaba se transformando em um livro, outro conto, "Barn Burning" tem algo de "Minha querida Sputnik"... A impressão que você tem ao ler os contos, é a de que eles poderiam servir de prólogo para um novo romance. São bons, mas acho que os personagens do Murakami se revelam melhor em histórias mais longas, é como se eles precisassem de espaço para se exporem e nos conquistarem de vez. Claro que há muitas pessoas que discordam da minha opinião, como é possível ler nas críticas feitas à sua última coletânea na Amazon.
Já tinha lido "Lederhosen", a história da mulher que descobre que não gosta do marido e pede divórcio quando viaja até a Alemanha e decide comprar uma daquelas calças/shorts de couro típicos do país, em uma New Yorker antiga. Alguns de seus contos foram publicados pela revista em diferentes momentos.
Os contos de que mais gostei foram "The little green monster" e "A slow boat to China", este último conto é um primor! O narrador fala sobre os chineses que cruzaram seu caminho em diferentes momentos de sua vida com nostalgia: um professor que entrega provas em um exame quando ele era criança, uma garota com quem trabalha nas férias no primeiro ano da universidade e um garoto que reencontra já mais velho vendendo enciclopédias. Muito tocante, talvez porque as pessoas que conhecemos algum dia, mesmo aquelas para as quais não demos muita importância, servem de pontos de referências para a história de nossas vidas.

quarta-feira, março 14, 2007

A wild sheep chase (Caçando Carneiros) - Haruki Murakami

Mais um Murakami se vai.
Há sempre um sentimento de melancolia quando um bom livro chega ao seu fim, especialmente porque eu li sua continuação, Dance, Dance, Dance, antes de A wild sheep chase, ou Caçando Carneiros, como foi traduzido no Brasil.
O mesmo personagem de Dance, quatro anos mais novo, narra sua busca por um carneiro muito especial que escolhe algumas pessoas para serem seus hospedeiros e realizarem seus planos. Sua busca o leva até Hokkaido, no norte do Japão, é lá que ele se hospeda no Dolphin Hotel e conhece o Sheep Professor. É em Hokkaido, também, que ele encontra o Sheep Man...
Apesar da história inusitada, Murakami fala da solidão, da perda e do sentimento de falta de sentido da vida com muita delicadeza. Depois deste livro, restam duas coletâneas de contos para eu ler. Espero que haja mais alguma coisa sendo traduzida para alguma língua inteligível, assim não me sentirei orfã de Murakamis....

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Haruki Murakami - Dance Dance Dance

"My peak? Would I even have one? I hardly had had anything you could call a life. A few ripples. Some rises and falls. But that's it. Almost nothing. Nothing born of nothing. I'd loved and been loved, but I had nothing to show. It was a singularly plain, featureless landscape. I felt like I was in a video game. A surrogate Pacman, crunching blindly through a labyrinth of dotted lines. The only certainty was my death.
No promises you're gonna be happy, the Sheep Man had said. So you gotta dance. Dance so it all keep spinning."

Um hotel misterioso em Sapporo no qual vive um homem vestido com uma fantasia de carneiro, um ser primordial, mortes banais ou misteriosas, um ator, algumas prostitutas, uma garota de 13 anos e sua família, este é o universo de Dance, Dance, Dance, história narrada por um homem de 34 anos que trabalha como free lancer para jornais, revistas, etc.

Simpatizei com ele, quando ele diz que seu trabalho é "escavar neve cultural", algo sem sentido, sem paixão, achei que aquilo era uma boa descrição para o que tenho feito até agora. Eu não diria neve, mas capim, eu faço montes de capim pesquisando o século XVIII, capim histórico. Algo não menos inútil.



terça-feira, janeiro 30, 2007

Hard-boiled wonderland and the end of the world

Outro livro do Murakami! Ok, estou virando uma Murakami freak, mas para minha defesa, não achei este livro tão empolgante. São duas histórias paralelas nas quais os personagens não possuem nome. Em Hard-boiled wonderland, seguimos os passos de um homem de 35 anos que trabalha para o Sistema, um tipo de organização governamental que controla a informação, ele é um Calcutec, quer dizer, ele é capaz de processar informações e dividir as funções que deve realizar em seu cérebro, ou seja, ele é um tipo de computador ambulante. Ele é chamado para realizar um trabalho para um velho cientista chamado apenas de "Professor", ele conhece sua neta, que só se veste de pink e, partir desse encontro, ele descobre que sua mente está prestes a ser absorvida por um outro mundo, criado por seu subconsciente. A história deste outro mundo é narrada em The end of the world, ali, o nosso calcutec é um homem que chega em uma cidade cercada por uma muralha e na qual os habitantes devem se desfazer de suas sombras, de suas memórias, nesse lugar, não há violência, nem amor, nem desejos, todos tem uma existência pacífica e funções a desempenhar. O calcutec do mundo real (se é que há algo que possa ser chamado de real nas histórias) recebe a função de Dreamreader na cidade e deve ir para a biblioteca ler sonhos antigos que estão contidos em caveiras de unicórnios todas as noites. A tensão do livro fica por conta do dilema criado pelas duas histórias, pois, para que um dos dois mundos seja preservado, talvez o outro deva deixar de existir...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

The wind-up bird chronicle

Continuo lendo Murakami, o grande fã desse autor aqui em casa é meu marido, mas depois de ler "Minha querida Sputnik", não consigo mais parar. Murakami tem dois gêneros de livros, aqueles com histórias onde tudo se passa de acordo com a realidade, como Norwegian Wood e South of the border, West of the sun e aqueles nos quais a história dos personagens se divide entre dois universos paralelos que se interpenetram, caso de Minha querida Sputnik, Kafka on the shore e de Wind-up bird.
Wind-up bird é sobre Toru Okada, um cara comum de trinta anos que vê sua vida mudar radicalmente quando decide deixar o trabalho para pensar no que deseja fazer com sua vida. Ele passa o tempo cuidando da casa e cozinhando. É nesse momento que ele e sua esposa começam a ouvir o canto de um pássaro misterioso que prenuncia acontecimentos muito estranhos.... O gato de Toru desaparece e sua esposa o abandona. Após esses acontecimentos, ele se depara com situações e personagens singulares, como May, a adolescente obcecada pela idéia da morte, Coronel Mamiya, marcado por uma história terrível que se passa nas estepes da Mongólia, as irmãs Creta e Malta Kano...
Ainda gosto mais dos outros livros mencionados acima, mas Murakami é Murakami e ele não desaponta...

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segunda-feira, dezembro 04, 2006

Minha querida Sputnik - Haruki Murakami

É difícil não gostar do escritor japonês Haruki Murakami. É tão fácil gostar de seus personagens! São pessoas comuns, procurando compreender suas vidas e lidar com a solidão. Acho as histórias meio tristes. "Minha querida Sputnik" é triste. É sobre o amor platônico que Sumirê sente por Miu, uma mulher mais velha e misteriosa e sobre a paixão do narrador por Sumirê. Algumas das marcas registradas de Murakami surgem nesta obra: os gatos, mediadores entre a realidade e um outro mundo, as mulheres que desaparecem e as histórias que ocorrem em universos paralelos, como o mundo do outro lado do espelho de "Alice no País das Maravilhas".

É dificil não gostar de Murakami, suas obras deixam transparecer seu bom gosto musical, sua paixão pela Europa, seu interesse pela culinária e pelos bons vinhos, como não gostar dele?

Eis um trecho do livro:

Então me ocorreu que, apesar de sermos companheiras de viagem maravilhosas, no fundo, não passávamos de duas massas solitárias de metal em suas próprias órbitas separadas. À distância, parecem belas estrelas cadentes, mas, na realidade, não passam de prisões, em que cada uma de nós está trancada, sozinha, indo a lugar nenhum. Quando as órbitas desses dois satélites se cruzam, acidentalmente, podemos estar juntas. Talvez, até mesmo, abrir nossos corações uma à outra. Mas por um breve momento. No instante seguinte, estaremos na solidão absoluta. Até nos queimarmos completamente e nos tornarmos nada.”


P.S. Obrigada Miki!