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segunda-feira, maio 26, 2008

Die Verwandlung - Franz Kafka

Quem conhece meu outro blog sabe que ele não foi nomeado em homenagem ao escritor Franz Kafka, mas inspirado no título de um romance do escritor japonês Haruki Murakami.
Talvez decepcione algumas pessoas, mas tenho que confessar que Franz Kafka nunca foi um de meus escritores favoritos, li O Processo e achei aquela história angustiante e opressiva. Nunca fui além de algumas páginas de O Castelo e devo ter lido a Carta ao pai algum dia, mas não me lembro de nenhuma frase.
Die Verwandlung, ou A metamorfose, foi uma agradável surpresa. Resolvi ler a versão bilíngue, alemã-italiana, de O. e gostei bastante da história. Se há algo que admiro em Kafka é a simplicidade e objetividade de sua escrita, características que tornam as situações que ele narra ainda mais bizarras.
Ao contrário do que imaginava, Gregor Samsa, o personagem principal de A metamorfose, não se transformou em uma barata como li em alguns lugares no passado. O primeiro parágrafo diz claramente que Gregor Samsa acordou e descobriu que se transformara em um "inseto monstruoso", ponto.
Li quase tudo em alemão, às vezes dava um olhada na versão italiana, mas descobri que preciso melhorar muito meu vocabulário nessa última língua...

quinta-feira, setembro 06, 2007

Ignorância - Milan Kundera

Outro dia escrevi que li vários livros do Kundera e que não me lembrava dos enredos das histórias, era verdade, mas após ler Ignorância, acho que posso explicar um pouco melhor a razão de meus "brancos". As histórias do autor giram em torno de relacionamentos, identidade e sentimentos, são eles que ocupam o papel principal e , desta forma, torna-se difícil definir um "enredo" para seus romances. Agora, uma coisa tenho que admitir, Kundera escreve belamente. Neste livro, ele narra o retorno de Irena e de Josef à República Tcheca após vinte anos de exílio em outros países da Europa e mostra como as pessoas que os conheceram olham para os dois como se fossem uma espécie de desertores e procuram fazer de conta que os últimos vinte anos de suas vidas não existiram. Kundera também fala sobre como muito nos relacionamentos humanos é baseado em equívocos:

"Imagine os sentimentos de duas pessoas que se encontram novamente após muitos anos. No passado, elas ficaram algum tempo juntas e portanto acham que estão unidas pela mesma experiência, pelas mesmas recordações. Pelas mesmas recordações? É aí que os mal-entendidos começam: elas não possuem as mesmas recordações; cada uma retém duas ou três pequenas cenas do passado, mas cada uma possui as suas próprias recordações, elas não são parecidas, elas não se cruzam; elas não são comparáveis nem mesmo em termos de quantidade: uma pessoa lembra-se da outra mais do que esta se lembra dela; primeiro, porque a capacidade da memória varia entre os indivíduos (uma explicação que cada uma delas acharia ao menos aceitável), mas também (e isso é mais doloroso de se admitir) porque elas não possuem a mesma importância para cada uma delas. Quando Irena viu Josef no aeroporto, ela lembrava-se de cada detalhe de sua aventura do passado; Josef não se lembrava de nada. Desde o primeiro instante, seu encontro estava baseado em uma injusta e revoltante desigualdade."


segunda-feira, abril 30, 2007

L'art du roman (A arte do romance) - Milan Kundera

A arte do Romance é um dos primeiros livros de ensaios e reflexões de Kundera, o seguinte é Testamentos Traídos, A Cortina é o último. Agora posso dizer que li todos. Gosto do Kundera como escritor, li vários de seus romances e me lembro de tê-los achado bons, mas se me perguntarem o enredo de qualquer um deles, não conseguiria contar nada! Que coisa feia, não é mesmo?
O Kundera ensaísta não se cansa de comentar os autores e obras de que gosta e fazem parte sua formação como escritor: Kafka, Rabelais, Cervantes, Flaubert, Tolstoi, Gombrowics, Hermann Broch... Ele sempre os usa como exemplos do que seria uma grande criação literária. Ele fala das traduções, que se revelam quase sempre filhos infiéis, pois os tradutores gostam de criar expressões e de mudar palavras de acordo com o que julgam soar melhor, fala de seu próprio processo criativo, de como seus romances podem ser comparados a composições musicais, aliás, Kundera estudou música durante muito tempo antes de se tornar escritor e seu pai também era músico. Crítica literária de peso, boa crítica de época e de gostos.


sábado, março 31, 2007

Ther Curtain - Milan Kundera

Milan Kundera é o autor de vários romances em Tcheco e em francês, entre eles, "A insustentável leveza do ser", que foi filmado. The Curtain é um livro de ensaios sobre a literatura do ponto de vista do autor. Neles, Kundera fala da relação de suas experiências como um emigrado tcheco em outro país, no caso, a França, e a sua obra, bem como da relação da obra de vários de seus autores favoritos (Rabelais, Cervantes, Fielding, Flaubert, Tolstoy, Hermann Broch, Franz Kafka, entre outros) com a sociedade em que vivem. A forma como cada um deles conta uma história, como ela se torna bem sucedida e completa em si mesma, sobre o que cada uma delas nos traz, também são tópicos abordados.

Apesar dele não negar suas origens e trazer a Tchecoslováquia em seu sangue e em sua memória, ele parece detestar quando as pessoas o definem como "o exilado tcheco", de fato, é uma generalização e, como qualquer generalização, ela é empobrecedora. Questões pessoais do autor à parte, os ensaios são bem variados, alguns são brilhantes, outros, nem tanto.

Adoro ler o que os escritores têm a dizer sobre a literatura e sobre os autores de que gostam, acho que é algo muito mais enriquecedor do que ler obras de teoria literária que, como Kundera diz, costumam propagar banalidades.